Os filmes e as músicas são caros, por isso baixo tudo de graça da internet.
Esta é a desculpa de quem fomenta a pirataria. O fato de não concordar com os preços e o anonimato proporcionado pela internet faz aparecer um Robin Hood às avessas que rouba dos ricos e distribui para si mesmo os frutos do roubo. As pessoas esquecem-se que podem fazer uso de um direito seu que, por fim, faz os preços baixarem: o seu poder enquanto consumidor.
A lei mais básica do mercado é chamada de “Lei da oferta e da procura”. Quando a oferta é maior que a procura, os preços são baixos. Quando a procura é maior que a oferta, os preços são altos. Não concorda com o preço do CD da sua banda favorita? Não compre! Espere baixar até um preço que você considere aceitável.
Por que não concordo com a pirataria? Por que as coisas levam tempo e dinheiro para serem feitas. O artista investe seu tempo e dinheiro para produzir trabalho de qualidade tal que possa ser vendido. O justo é remunerar este artista pelo trabalho que ele teve em nos entreter. Se o preço é muito alto ou se não concordo com o preço, procuro por outro entretenimento, que seja mais condizente com minha condição financeira. Isso funciona assim desde a pré-história.
O impulso consumista é o que leva as pessoas optar pela pirataria. A ansiedade e o desejo em ter algo é tamanho que as barreiras da moral são postas de lado e comete-se o crime acreditando-se que se está fazendo a coisa certa. Você gostaria de vender seu trabalho de graça? Certamente que o artista que fez o filme ou a música que você gosta não gostaria.
Ah, mas a indústria da mídia abusa e coloca preços altíssimos! Bem, quando você vai comprar verdura precisa pagar o preço que lhe pedem. Se você acha que está caro demais o que você faz? Reclama com o comerciante e não compra. Basta fazer isso: reclame com a indústria da mídia e não compre! Se você não comprar vale a lei da oferta e da procura. Fatalmente o preço vai cair.
Em projetos de software existe uma metodologia de desenvolvimento que é conhecida como metodologia iterativa. Na verdade, a iteratividade é um tipo de metodologia de desenvolvimento que é utilizada por métodos agile como o SCRUM ou XP. Nessas metodologias, pequenas metas são criadas e implementadas ao longo do projeto com a intenção de alcançar um determinado objetivo, ou seja, ter o software pronto com a devida qualidade.
Bem, este artigo não tem a intenção de descrever metodologias de desenvolvimento de software mas trata-se de um ensaio de como usar uma metodologia dessas em nossas vidas. Eu sempre acreditei que é possível adaptar-se boas ideias de ramos distintos do conhecimento para resolver problemas de outras áreas da nossa vida. E aqui está um bom exemplo: viver iterativamente.
De certa forma já vivemos iterativamente. O nosso dia-a-dia é uma repetição sem fim de ações: acordar, tomar o café da manhã, sair para trabalhar, almoçar, etc, etc. Por que não aproveitar e criar uma forma de atingir nossos objetivos de maneira mais organizada, procurando otimizar a quantidade de energia gasta no processo?
A ideia é sempre definir os objetivos. Há um ditado que diz que sem objetivos não há como traçar metas. Portanto o primeiro passo é traçar os objetivos, ou seja, aquilo que você quer para si. Feito isso, coloque o seu objetivo na linha do tempo: quanto tempo você precisa para atingi-lo. Isso lhe dará a noção de prazo para atingir o seu objetivo.
Pegue sua linha do tempo e divida-a em intervalos pequenos. O tamanho do intervalo depende do tempo que você terá disponível no seu dia-a-dia para concentrar-se em atingir seu objetivo. Tente, no entanto, criar intervalos regulares. Cada intervalo será usado para atingir uma meta. Tente entender uma meta como um marco no tempo que lhe ajuda a alcançar o seu objetivo. É como se fosse um conjunto de tarefas tais que quando completadas o deixam mais próximo de atingir seu objetivo.
Depois de tudo isso feito e devidamente anotado, execute. Ao fim de cada intervalo, avalie o que foi feito, o que falta fazer e se o que foi feito atingiu a sua meta no tempo desejado. Ajuste os próximos intervalos e metas se for necessário. Escreva. Documente para que você não perca o fio da meada. Não confie na sua memória.
Essa é uma forma de usar um método de desenvolvimento de software para atingir objetivos que não tem absolutamente nada a ver com desenvolvimento de software. Ao treinar-se em usar uma metodologia iterativa como essa para sua vida você verá que terá mais controle sobre suas coisas, mais conhecimento sobre o que, como e quando você faz suas coisas.
Sua experiência leva-o a conceituar o mundo à sua volta. Você dá nome aos objetos, às pessoas, aos animais. É a forma como nós, seres humanos, compreendemos o universo no qual estamos circunscritos. E do nosso dia-a-dia tiramos os nossos conceitos sobre as coisas. A inferência e a capacidade do ser humano na abstração permite-nos construir conceitos que nos são muito bem fundamentados. O problema é quando estes conceitos são fundamentados em sentimentos e não em fatos.
O movimento contra a usina de Belo Monte é um grande exemplo de conceito fundamentado em sentimentos e não fatos. Sou de opinião que é nossa obrigação conservar o nosso planeta, pois até hoje as viagens espaciais tripuladas são para poucos e o mais distante que já conseguimos ir e voltar foi a nossa própria Lua. Se a Terra morrer, vamos morrer juntos pois não temos para onde ir. Com a nossa tecnologia atual, poderíamos chegar a Marte para morrermos congelados e asfixiados na superfície daquele planeta.
Porém, o movimento conservacionista tende a ser impetrado simplesmente pelo sentimento e pelo preconceito. Não é assim que a coisa deve ser feita. É preciso analisar os fatos, entender o contexto, compreender todo o projeto, avaliar o impacto ambiental para só depois levantar a bandeira de “há algo errado”. E se houver algo errado, não é para ir às ruas gritar aos brados que está errado, mas tentar achar uma solução e efetivamente consertar.
Acabamos resumindo isso em uma paráfrase de um dos meus autores favoritos: campo de problema de outra pessoa. Não queremos estes problemas para nós mesmos. Delegamos eles à outras pessoas. E se essas pessoas não resolvem o problema do jeito que achamos que deveriam resolver, vamos às ruas, fazemos campanhas pela internet, gritamos, tomamos porrada da polícia e ainda nos fazemos de vítimas. Não é assim!
Uma das coisas que mais me irrita nos movimentos conservacionistas é isto: as táticas de guerrilha que adotam ao invés de tentar dialogar e resolver o problema em conjunto. Contribuir, ao invés de julgar. Ajudar, ao invés de protestar. O mundo é o que nós fazemos dele.
Eu me lembro da primeira TV que tínhamos em casa. Era uma Telefunken preto-e-branca. Era uma TV tão grande que tinha pés, como se fosse um móvel. Obviamente era uma TV valvulada. Quando a vendemos, precisaram quatro pessoas para colocá-la em um carro. Era muito pesada. O seletor de canais era um dial colocado no console frontal do aparelho. Nossa segunda TV era uma Sanyo, colorida. O console frontal tinha botões sensíveis ao toque o que, em termos tecnológicos, é como comparar o Walkman com o iPod. E essa TV tinha um acessório, que meu pai nunca comprou, que ligava-se à ela por meio de um fio: um controle remoto.
Nessa época já haviam esforços para tornar o controle remoto realmente remoto, ou seja, completamente independente do aparelho. Havia uma TV que mudava de canal por um controle acústico. Era uma caixa preta com dois botões desajeitados. Cada um fazia um som diferente: um para ir e outro para voltar na lista de canais. Com o tempo, o controle remoto sofisticou-se e passou a controlar completamente as funções da TV, tudo por infra-vermelho. E de lá para cá o que mais se tem feito é tirar os fios dos acessórios, tornando-os aparelhos praticamente autônomos.
Hoje em dia os controles remotos continuam comunicando-se com os aparelhos via infra-vermelho, mas outros acessórios, como mouses, teclados, headsets, etc, usam o Bluetooth, uma tecnologia baseada em ondas de rádio que permite que um aparelho comunique-se com outro através de um protocolo bem interessante. Assim, você não precisa mais de fios para transferir as fotos da sua câmera para o computador, ou para salvar no seu celular algumas músicas para ouvir no caminho ao trabalho.
Já existem impressoras sem fio, unidades de disco rígido externo sem fio e mais uma miríade de produtos que seguem a ideia de não usar fios de jeito nenhum. É o sonho de Nikola Tesla tornando-se realidade, quase 70 anos após sua morte. E a tendência é que, num futuro próximo, o único fio que existirá no seu aparelho será o cabo de força. E mais nada. Essa realidade já existe para quem usa o iMac da Apple. Trata-se de um computador quase visionário no qual tudo o que é possível ficar sem fio é sem fio. E, apesar de ser uma bela peça de design, trata-se de uma tendência cada vez mais presente no nosso dia-a-dia.
Em breve seu MP3 Player não terá mais fones de ouvido com fios. As únicas coisas com fios em sua casa serão os aparelhos que dependem da rede elétrica para serem alimentados.
Não é incomum receber e-mails de serviços que você nunca acessou. Na mensagem chegam a alegar que você está recebendo e-mail por que cadastrou-se no serviço. Mas, se você nunca se cadastrou no serviço por que está, então, recebendo um e-mail de propaganda? A resposta é muito simples: seu endereço foi adicionado ao serviço sem seu consentimento, possivelmente devido à venda de cadastros, uma atividade que está se tornando cada vez mais comum na internet.
Serviços gratuitos como o Facebook vendem cadastros de seus usuários devidamente segmentados por preferências, idade, sexo, grau de instrução, localização geográfica, etc. E estes cadastros são valiosos pois correspondem à endereços de e-mail que estão realmente em uso e são efetivamente válidos. Empresas de marketing compram estes cadastros para revendê-los através de serviços especializados de envio de mala-direta digital. Assim, seu e-mail cai em um cadastro de anúncios indesejados e você passa a receber e-mails não solicitados regularmente.
O problema da maioria das empresas que trabalha com este tipo de atividade é a falta de critério no envio de mensagens o que faz com que anúncios sejam encaminhados para grupos de pessoas que não tem interesse real no produto ou serviço sendo vendido. Isso é ruim por dois aspectos:
- você recebe algo que não quer e isso é incômodo;
- quem contratou a campanha de marketing não tem um resultado efetivo o que faz com que o dinheiro investido seja literalmente jogado fora.
A venda de cadastros também pode ocorrer de maneira ilegal através de roubo de cadastros. Por exemplo, há agentes especializados em roubar endereços de e-mail válidos dos computadores pessoais – vírus de computador criados para este fim. Normalmente estes vírus obtém a lista de contatos dos messengers como o MSN e as envia para um servidor central, normalmente hospedado em um país onde a tecnologia vive ainda a fase do faroeste.
Estes vírus também propagam-se por e-mail e a propagação é usada, também, para validar as caixas postais que estão sob ataque. Assim, o atacante consegue adquirir rapidamente endereços de e-mail válidos e valiosos para vender no mercado negro.
