>
>
Naquela época, não havia agilidade para o crescimento da rede. Telefones eram bens caríssimos e para obter linhas telefônicas era necessário fazer até consórcio. Não havia agilidade para criação de novas linhas, a qualidade do serviço de voz era ruim, mas ninguém ficava com o telefone mudo. Pelo menos não que eu me recorde.
Chega ao fim o monopólio do Sistema Telebrás. Vendem todo o sistema para operadoras estrangeiras. Ao invés de apostarem em pequenas parcelas, apostaram em grandes concessionárias. Resumo da ópera: simplesmente trocaram o monopólio da mão do governo para a mão de cartéis privados. Esses cartéis saíram vendendo linhas telefônicas a preço de banana, se comparado com os preços da época do monopólio. E cresceram suas redes de maneira quase exponencial. O governo fez como regra a agilidade na venda de linhas telefônicas, obviamente uma medida populista. As operadoras compraram a idéia e nunca se vendeu tanta linha telefônica no Brasil.
A Telefónica, em particular, herdou o maior pedaço do bolo: o Estado de São Paulo. Herdou, também, a maior rede com características únicas e heterogêneas. Qualquer que fosse a operadora que tivesse herdado a fatia paulista das telecomunicações passaria pelos mesmos problemas, certamente. Imagine uma rede heterogênea, com uma grande diversidade de tecnologias funcionando todas em conjunto. Agora imagine uma empresa que não entende o mercado brasileiro assumindo isso e achando que é só crescer a rede. O resultado aí está: serviço ruim, desconexões frequentes, falha em serviços essenciais.
Para mim está claro que o problema da Telefónica é de gerenciamento da rede que têm em mãos: um verdadeiro abacaxi tecnológico. Está claro, também, que é uma empresa que não conseguiu ainda desenvolver a capacidade técnica suficiente para manter esse abacaxi tecnológico a ponto de agora sofrer com panes em seus sistemas, que provavelmente são outro abacaxi tecnológico – praticamente um ananás.
Os problemas de hoje da Telefónica são, na verdade, uma soma de várias pequenas coisas:
- privatização feita igual à fuça (com o perdão da palavra, mas foi o que realmente aconteceu)
- centralização dos serviços em grandes provedoras
- credenciamento de empresas sem o devido conhecimento do mercado brasileiro
- criação de um órgão inerte, inoperante e que não consegue gerir a situação das telecomunicações no Brasil: a Anatel.
As falhas, cada vez mais frequentes, na rede da Telefónica apenas expressam a consequência de uma privatização feita às pressas e que foi desenvolvida por pessoas que não tinham o devido conhecimento de telecomunicações a ponto de trocar seis por meia dúzia.


